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20/11/2008 - 16h21

Mania de customizar tênis ganha força com projetos sociais e comércio on-line

ADRIANA TERRA
Da Redação

Divulgação

Tênis feito por Jimmy, que usa tintas específicas para cada material

Tênis feito por Jimmy, que usa tintas específicas para cada material

Interessado pela cultura do tênis, Leandro Nascimbene, 26, mais conhecido como Jimmy, passou a customizar alguns pares, pintando os modelos com inspiração em gostos pessoais, como os filmes "Faça a Coisa Certa" (1989), de Spike Lee, e "Sin City" (2005), de Frank Miller.

Quando começou a customizar tênis, há cerca de dois anos, não tinha a intenção de comercializá-los. "Morava com um amigo, fui pintando os meus e os dele", conta. "Comecei a me informar e pesquisar mais sobre os materiais necessários. Depois que consegui o material correto comecei a trabalhar". Hoje, Jimmy vende suas criações pela Web e para amigos que encomendam dele.

Já Andréa Santos, 31, aproveitou seu interesse por trabalhos manuais para pintar também calçados. "Além dos desenhos que eu mesma crio, faço ilustrações ao gosto de cada um, crio em cima do que me pedem", conta ela, que vende pela Internet seus tênis e também os usa para divulgar o trabalho.

Para Andréa, o sucesso dos modelos customizados se deve ao desejo por algo exclusivo. "As pessoas querem algo para o qual olhem e digam: 'Que lindo, nunca vi esse modelo em loja nenhuma, onde você comprou?'", diz.

Sobre o fato de nem todos se aventurarem em sua própria customização, ela acredita que há certo medo "de errar o desenho e perder o tênis".

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Modelo da designer Lilian T .Carvalho
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Tênis inspirado no filme "Sin City", customizado por Leandro Nascimbene
No entanto, há quem mesmo sem experiência na arte da customização de calçados crie modelos para uso pessoal. É o caso de Prila Paiva, 30, artista plástica, que adaptou um par de tênis branco com desenhos influenciados pela música afro-beat.

"É preciso deixar o tênis secar alguns dias para a tinta aderir totalmente", conta Prila, que diz ter usado em seu modelo tinta de tecido "comprada em papelaria mesmo". "É uma tinta ótima, já lavei o tênis algumas vezes e a pintura ainda está inteira", revela.

Já a designer Lílian T. Carvalho, 25, faz modelos para alguns amigos. "Não comecei a ganhar um dinheirinho com eles ainda. É mais uma forma de dar uma relaxada", diz.

Ana Shio, 29, publicitária, desenhou dedinhos sobre um modelo todo branco e liso. "Não tem como sair com ele e aguém não fazer um comentário", conta.

Embora boa parte desse comércio ainda seja feita de maneira informal, algumas empresas aproveitam o sucesso da customização e apóiam ou desenvolvem projetos relacionados ao assunto. É o caso da Vans, com o Custom Shoes, que consiste na customização de sete pares de tênis feita por profissionais de áreas ligadas ao design.

Segundo o idealizador do projeto, Bruno Regalo, 26, a idéia era fazer "algo cultural, artístico e ao mesmo tempo social". O Custom Shoes realiza, no próximo dia 27 de novembro em Curitiba, leilão beneficente dos tênis.

Customizados versus edição limitada

Para o diretor de arte Bruno Regalo, a maior diferença entre um tênis em edição limitada e um customizado é a produção. Com os calçados de uma série edição limitada - geralmente feita por um artista ou em homenagem a uma personalidade --, a produção é em larga escala se comparada à de modelos customizados.

"Normalmente o tênis de edição limitada é produzido industrialmente, diferente do customizado, que é feito de maneira única. Claro que um tênis customizado pode se tornar um "limited edition", como é o caso de diversos tênis de grandes marcas em todo o mundo", explica.




Sites relacionados:

Andréa Santos - www.flickr.com/artbydreas/

Lílian T. Carvalho - www.flickr.com/diferenteassim

Leandro Nascimbene -
www.flickr.com/jdubs176

Priscila Paiva -
http://www.prila.art.br

Vans Custom Shoes - www.vansbrasil.com.br/customshoes