A Bolívia recebe, até o próximo dia 23 de maio, o VI Encontro Internacional de HQs do país. O evento é mais um exemplo de como a cultura de histórias em quadrinhos tem se desenvolvido na América do Sul, com cada país tentando encontrar sua própria identidade dentro do estilo.
O encontro (que começou no dia 13) visa discutir vários assuntos referentes ao tema, reunindo tanto artistas da "velha guarda" das ilustrações bolivianas (surgida nas décadas de 1960 e 1970, dedicadas principalmente ao humor político) como os mais novos, alguns inclusive expondo pela primeira vez.
Segundo Avril Filomeno, membro do grupo Viñetas de Altura, que ajudou a organizar a atividade, o objetivo é "consolidar a HQ com identidade boliviana".
Entre os artistas bolivianos estarão presentes em debates Marcelo Fabian, Rolando Valdez, Santos Callisaya, Cristóbal Corso, Julio Arce, Barbery Suarez (o único autor a manter sua tira cômica há mais de 20 anos). Além deles, o estreante italiano Lorenzo Mattotti, o chileno Hervi, o brasileiro João Lin, o argentino Juan Bibillo, o colombiano Jose Campo, o peruano Benjamin Corso e os uruguaios do Historietas FC estarão presentes.
Segundo declarações de Fabian ao jornal La Prensa, ainda não há uma tradição na produção e consumo de HQs na Bolívia por dois principais fatores: falta de costume de leitura, mesmo de obras convencionais, e porque a indústria editorial sempre foi limitada. "Ainda é só um movimento pequeno que, para assentar por completo, precisa de mais uns 20 anos", completa.
Um dos maiores desafios, segundo Corso, é que não há um personagem típico da Bolívia, exceto por Potoquito de Potosí. Nesse sentido, a obra de Rolando Valdez "Super Cholita", uma heroína criada à imagem e semelhança das camponesas bolivianas, é uma tentativa de começar a desenvolver uma linha característica do país (mesmo que com traços inspirados em mangás).